6 tendências de design para 2022
O pensamento decolonizante, o maximalismo, a ética e o anti-design serão protagonistas no ano que se inicia
Algumas semanas antes do início de 2022, é comum ler artigos sobre tendências e orientações. Muitos de nós precisamos de informações sobre o rumo que nossas áreas de atuação tomarão.
Segundo o designer gráfico especializado em design tipográfico e em direção de arte para design editorial, Javier Alcaraz (@javieralcaraz), trata-se de um exercício útil para guiar algumas decisões, desde que seja resultado de uma reflexão profunda e global do panorama que se apresenta atualmente.
“Em geral”, observa o especialista, “as listas de tendências de design costumam ser simplificadas através de dois recursos: anunciar um revival, o retorno de algo que fez sucesso há pelo menos 20 anos, ou anunciar uma contraposição, algo que vai diretamente contra o que havia sido promulgado no ano anterior". Mas, por que certas coisas voltam e por que surgem as oposições a elas? E de onde surgem as outras tendências?

Javier, que também é o fundador do estúdio elcerezo, com o qual desenvolve publicações editoriais, projetos de identidade e produção tipográfica para clientes como Google, Ministério da Cultura do México, TetraPack, Forbes, Storytel e Reader's Digest, reflete sobre o que pode vir num futuro próximo.
Uma perspectiva decolonizadora
A ideia de adotar uma perspectiva decolonial parte do reconhecimento de uma matriz de poder: do econômico, do político, do conhecimento e também da sexualidade e gênero. O designer explica que, à medida que descobrimos e reconhecemos o domínio do heterossexual-branco-ocidental em mais âmbitos, entendemos que o design também se encontra preso neste sistema de controle.
Este controle é expresso por meio de:
- Formas de representação.
- Imposição do olhar, do visual, sobre os outros sentidos.
- Ideia do belo.
Quais são as formas de escapar dessa lógica ou, pelo menos, começar a abrir outros caminhos? Algumas das tendências indicadas a seguir podem refletir essa busca que marcará o design no curto e médio prazo.
Abaixo, as seis tendências que, para o especialista, se destacarão no universo do Design em 2022.
1. Exaltação da diversidade
A exploração das culturas ancestrais e o crescente interesse pelas culturas não ocidentais, ou seja, por estéticas que não se baseiam exclusivamente nos cânones europeus, é algo que, segundo Javier Alcaraz, já começamos e continuaremos a ver no futuro.
Ao observar como integramos essas novas influências, Javier recomenda focar no trabalho de Dina Benbrahim, uma criativa árabe multidisciplinar que, através de uma lente feminista, busca incorporar uma nova perspectiva cultural em seus designs.
Como exemplo, você pode ver nesta imagem a forma como a designer decide integrar a palavra "verdade" (حقيقة em árabe e truth em inglês), para dar uma nova conotação à expressão Me Too.

Ele também sugere prestar atenção ao trabalho da designer equatoriana Vanessa Zuñiga Tinizaray, criadora do Amuki Studio, especializado em tipografia, padrões de fonte e movimento de fontes.
Vanessa trabalha na investigação dos signos visuais dos povos originários da América Latina para integrar esse conhecimento ancestral ao design atual.

Por fim, some a essa lista o designer tipográfico Saki Mafundikwa, que destaca a arte africana e nos deixa vislumbrar como algumas de suas formas são bastante familiares às ocidentais porque foram incorporadas à nossa estrutura cultural há muito tempo.
Saki resgata materiais de comunicação usados na África antes da chegada dos brancos e também durante as colônias, valorizando elementos excluídos. Por isso, seu trabalho e especialmente seu livro representam um material valioso para qualquer designer.

2. Maximalismo
Como consequência dessa nova busca, é de se esperar que os parâmetros sejam mais variados e mais caóticos, como o maximalismo e sua preferência estética pelo excesso.
É aqui que Javier Alcaraz destaca a obra de Leta Sobierajski, Sarah Boris e Hansje Van Halem.

O especialista justifica assim o aparecimento de propostas mais diversas, mais carregadas, mais mescladas e menos claras, mas não por isso menos amigáveis, comerciais ou atrativas.
Alguns profissionais - principalmente designers mulheres - parecem estar trilhando esse caminho que permite a mistura de elementos e a criação de imagens bastante carregadas.

3. A confiança, o objetivo
“No design queremos mais do que infundir respeito: despertar confiança”, resume Alcaraz sobre os novos objetivos da disciplina. “Nesse momento vale muito a pena que as pessoas confiem, tenham credibilidade, não escondam nada. Isso é alcançado através da transparência e da abertura, dois valores da beleza”, revela.
Para compreender essa noção de design, o especialista recomenda acompanhar de perto o trabalho do Itemzero, um estúdio de design interdisciplinar, especializado na interseção entre tecnologia, design de informação e design editorial. Desenvolvem sistemas de representação visual de informação que vão desde a produção de conteúdo até a estratégia de comunicação.
Sugere ainda dar atenção ao trabalho do Atelier Carvalho Bernau, um estúdio de design sediado na cidade portuguesa do Porto que atua principalmente no âmbito cultural e editorial, tanto a nível local como internacional. Possui uma equipe de pesquisadores, editores, curadores, fotógrafos, ilustradores e programadores focados em facilitar a comunicação de projetos.
4. A exaltação do humano
Em uma era que antecipa o avanço da inteligência artificial e o desprendimento de nossos corpos através do meta, designs que mostrem traços de um ser humano por trás da criação terão cada vez mais valor.
A presença humana será expressa através de:
- Caligrafia, o que é feito à mão.
- Impressão analógica: com poucas tintas e simples, como nos primeiros tempos da imprensa.
- O fisico. O papel, a fita, a encadernação ou elementos que transmitam atenção aos detalhes.
Algumas das referências a explorar são Sacha Lobe, Dora Lazarevic e Chris Ashworth.

5. Anti-design
“Essa tendência é um afastamento lógico da anterior”, explica o especialista. Se você viu o bairro da moda da sua cidade cheio de pôsteres excessivamente caseiros, provavelmente seja de propósito.
A sensação de que algo que vemos foi feito por uma pessoa qualquer, ao que parece, nos aproxima da mensagem. “O design não quer estar no museu, quer ser alguém próximo”, explica Javier, antes de descrever esta tendência como “uma hipérbole do brutalismo gráfico”.

6. Design ético
“Algo é belo se respeita, não ataca, inclui, tolera...”, descreve Javier. Por isso é possível que cada vez mais marcas e personalidades enfatizem seus valores e a forma como produzem seus produtos. Os designers não estão isentos dessa tendência e, de fato, já possuem a própria interpretação do que é design ético.
Entre os postulados do design ético, há algumas máximas que podem ser extraídas no Ind.ie., um site que o especialista recomenda visitar.
Dos postulados do design ético, destaca-se a tecnologia que respeita os direitos humanos, ou seja, descentralizada, de igual para igual, criptografada de ponta a ponta, gratuita e de código aberto, interoperável, acessível e sustentável.

Além disso, respeita e protege suas liberdades civis, reduz a desigualdade e beneficia a democracia. Também se refere à percepção da humanidade por trás da figura do designer e ao direito do usuário de fluir através do design e, com ele, construir uma vida melhor, mais fácil e mais prática.
“Falar de tendências é muito mais do que prever o uso de cores ou materiais”, explica Javier, “é entender a lógica do que está acontecendo e tomar a iniciativa de adivinhar o que pode sair disso”, conclui.
Se tem interesse em se aprofundar na visão e informação que Javier Alcaraz tem sobre design, inscreva-se num dos seus cursos: Desenho editorial automatizado com o Adobe InDesign, Introdução ao Adobe InDesign e Técnicas de composição para design gráfico.
E fique de olho na seção Design do nosso blog para descobrir mais sobre esta disciplina criativa.
Versão em português de @ntams.
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1 comentário
Muito legal!