Edifícios icônicos ao redor do mundo e suas histórias
Descubra sete das obras de arquitetura mais impressionantes do planeta, de acordo com professores da Domestika
De terminais de aeroportos a espaços expositivos, algumas das cidades mais visitadas do mundo são definidas por sua arquitetura.
Edifícios têm uma capacidade singular de unir as pessoas, seja para aproveitar um espaço compartilhado, iniciar debates, inspirar um movimento de design ou capturar a personalidade da cultura da qual fazem parte.
São, inclusive, reconhecidos pelo impacto positivo no bem-estar, com seus componentes, desde o layout até a decoração, tendo o poder de despertar alegria em quem passa por eles.

Para celebrar as histórias por trás de grandes edifícios, pedimos a sete professores da Domestika especializados em arquitetura e design de interiores que compartilhassem sua obra-prima arquitetônica favorita e o que a torna tão especial.
Instituto Salk, San Diego
Escolhido por Ana García (@anagarcialopez)
Fundado em 1960 por Jonas Salk, que desenvolveu a vacina contra a poliomielite, o Instituto Salk foi projetado pelo arquiteto Louis Khan com o objetivo de criar um ambiente inspirador para a pesquisa científica. O edifício de três andares e verdadeiramente original abriga inúmeros laboratórios e recebeu o Twenty-five Year Award do Instituto Americano de Arquitetos.
Ana García é uma arquiteta especializada em projetos residenciais e laborais. Ela explica mais sobre o Instituto Salk e o motivo de ser uma obra arquitetônica tão destacada: "O Instituto Salk em San Diego é o primeiro edifício a ser considerado um projeto de neuroarquitetura".

Já na década de 1950, pensava-se que edifícios e ambientes influenciavam o comportamento e a mentalidade das pessoas. Nesse sentido, a neuroarquitetura seria o diálogo estabelecido entre os espaços e nossas mentes", considera a arquiteta.
E Ana prossegue: "É um edifício de composição assimétrica, com dois volumes separados por um pátio ou praça central, presidido por um estreito curso de água que percorre o eixo central e culmina numa fonte, voltada para o Oceano Pacífico. Os elementos típicos da arquitetura clássica conferem ao complexo um valor simbólico e monumental”.
Para aprender mais sobre neuroarquitetura, confira o curso de Ana García, Design de espaços saudáveis: bem-estar e conforto.

La Fábrica, Barcelona
Escolhido por Brenda Roqueta por Alba Estevez, Architecture On Paper (@architectureonpaper)
O renomado arquiteto Ricardo Bofill, falecido recentemente, conheceu esta antiga fábrica de cimento em 1973.
Quase 50 anos depois, ele chamava La Fábrica de casa e de escritório. Com o objetivo de repensar a relação entre espaço e função, o impressionante edifício nos arredores de Barcelona combina área residencial e um ambiente de trabalho verdadeiramente único, graças à excelência arquitetônica de Bofill.

Brenda Roqueta, cofundadora do estúdio de visualização arquitetônica Architecture on Paper, e Alba Estevez, artista visual e 3D da empresa, explicam por que consideram La Fábrica uma obra-prima arquitetônica: “A sensibilidade espacial e a abordagem minimalista são os principais elementos que abraçam este espaço que a natureza foi livre para moldar ao longo do tempo".
E acrescentam: "De todos seus trabalhos espetaculares, como A Muralha Vermelha e Walden 7, esta obra-prima icônica é uma das nossas favoritas. Os diferentes elementos funcionais da antiga fábrica são agora esculturas que compõem esta obra de arte atemporal. Mas, é o contraste entre a estrutura crua e os interiores simples que desempenham o papel principal no caráter brutalista e simultaneamente romântico deste complexo do início do século XX".

SESC Pompeia, São Paulo
Escolhido por Eduardo Bajzek (@bajzek)
Assim como La Fábrica, o SESC Pompeia de São Paulo começou como uma fábrica – não de cimento, mas de barris. Foi revitalizado pela arquiteta Lina Bo Bardi no início dos anos 1980 e transformado em um centro de lazer na cidade mais populosa do Brasil.
Composto por instalações esportivas, biblioteca, teatro, espaço para exposições, restaurante e muito mais, é popular entre moradores e visitantes de todas as idades.
Eduardo Bajzek, ilustrador e professor de desenho, explica porque é seu edifício preferido na cidade: “É um complexo de edifícios de lazer e cultura, mas com um desenho tão magistral que você se sente parte, ou dentro, de todo um sistema, um corpo”.

Eduardo é particularmente atraído pela personalidade do edifício, observando como "incorporou uma antiga fábrica, que deu muita personalidade ao complexo. Os grandes galpões antigos, com suas paredes e pisos de tijolos e concreto, agora estão cheios de pessoas que gostam de passar um tempo lá assistindo peças, exposições, ou apenas relaxando e conversando".
"As famosas janelas de formato irregular são muito peculiares. Foram meio que projetadas no local, durante a construção, e por isso são tão orgânicas e lúdicas. Também contrastam com a solidez da torre de concreto. Todo o complexo é acessível ao público em geral, e acho isso muito democrático e animado", diz o ilustrador.
Veja abaixo algumas das ilustrações do SESC Pompeia que Eduardo realizou e descubra como transformar desenhos técnicos em obras de arte em aquarela, em seu curso na Domestika, Ilustração artística de arquitetura à mão livre.

Casa Kaufmann, Palm Springs
Escolhido por Ana Campos e Edgar Esteban, Himera Studio (@himeraestudio)
Para Ana Campos e Edgar Esteban do Himera Studio, a Casa Kaufmann e é uma das mais belas do século XX nos EUA: "A Casa Kaufmann, projetada por Richard Neutra em 1946 para o empresário de mesmo nome, é uma casa de inverno no deserto. E tudo nela gira em torno desses dois conceitos".
Desde seus materiais, que buscam imitar as cores do ambiente (ou refleti-las), até sua forma. A conexão com a paisagem é indiscutível. "Todos os quartos recebem luz natural e aproveitam ao máximo o sol do inverno no deserto”, destacam.

O uso do vidro, aço e pedra confere ao projeto um ar modernista, mas para a equipe especializada em design e reforma de espaços, é o efeito flutuante da Casa Kauffmann que a diferencia de outros edifícios residenciais do gênero.
“É um farol que parece flutuar: os planos horizontais dos telhados, interrompidos somente pela chaminé vertical de pedra, repousam sobre paredes de vidro transparente, elevando-se o mínimo possível do solo para não se destacar na paisagem. Sem dúvida, uma das casas mais bonitas do século XX nos EUA”, explicam Ana Campos e Edgar Esteban.

Edifício Lloyd’s, Londres
Escolhido por Ehab Alharirri (@archihab)
Este edifício, reconhecido internacionalmente e situado no coração de Londres, é composto por mais de 30 mil metros cúbicos de concreto e aço inoxidável, além de 12 mil metros quadrados de vidro.
Ehab Alharirri é um arquiteto, designer e artista digital que ministra o curso online Sketching para arquitetura com Procreate. Ele conheceu o Lloyd's Building ainda estudante.
Ao falar de sua história e o porquê de ser um prédio tão importante para si, conta: “Meu fascínio pelo prédio começou quando era estudante. Representava tudo o que eu achava que um edifício deveria ser. Tinha um estilo único e a estrutura aparente conferia detalhes muito fortes, tornando-o muito futurista e à frente do seu tempo".

Localizado no principal distrito financeiro de Londres, o Edifício Lloyd’s foi projetado pelo falecido arquiteto Richard Rogers e levou oito anos para ser construído.
O edifício é um grande exemplo do expressionismo estrutural, em que as estruturas da construção, como dutos e elevadores, estão localizadas no exterior para maximizar o espaço no interior.
O edifício é tão icônico que, em 2011, após 25 anos de sua construção, foi listado pela Historic England (órgão responsável pelo tombamento de construções no Reino Unido) como "Grade I". Naquele momento, tornou-se a estrutura mais jovem a obter esse status. Nas palavras da instituição, ele é "universalmente reconhecido como um dos principais edifícios da época moderna".

Edifício da Mill Owners' Association, Ahmedabad
Escolhido por Yolanda Yuste, YLAB Architects (@yuste_1)
Projetado por um arquiteto de renome mundial, o edifício da Mill Owners’ Association, concluído em 1954, tem vista para o rio Sabarmati, na Índia. Funciona como um espaço para atividades empresariais e sociais.
Para Yolanda Yuste, cofundadora do estúdio de arquitetura YLAB Architects sediado em Barcelona e professora de metodologia de design de interiores, trata-se de um dos edifícios mais icônicos do mundo: “O edifício foi projetado por Le Corbusier, o famoso arquiteto franco-suíço, um dos os pioneiros da arquitetura moderna. Tive a oportunidade de visitar este edifício, e a primeira coisa que me surpreendeu foi sua localização, bem no meio do campo. Uma vez que entra no prédio, você percebe que está, na verdade, principalmente ao ar livre".
As fachadas leste e oeste são dotadas de um brise-soleil, projetado para enquadrar as vistas enquanto permite a entrada de ar e luz indireta do sol no espaço. "As formas esculturais, a combinação de diferentes geometrias ortogonais e curvilíneas, as texturas ásperas e o contraste do sol e da sombra são um deleite para os olhos", conclui Yolanda.

Aeroporto Madri-Barajas T4, Madri
Escolhido por Bruno Arancibia (@brunoarancibiaalberro)
O Terminal 4 do Aeroporto de Madri-Barajas foi concluído em 2004 e recebeu o Prêmio Stirling apenas dois anos depois. Como o aeroporto mais movimentado da Espanha, com milhões de passageiros passando por todos os quatro terminais anualmente, funciona como uma recepção impressionante aos visitantes da capital espanhola.
Bruno Arancibia é arquiteto mexicano e professor de Desenho e modelagem de espaços urbanos com AutoCAD e SketchUp.

Para ele, o Terminal 4, projetado pelo Estúdio Lamela e Rogers Stirk Harbour and Partners (RSHP), combina beleza e funcionalidade: “Aeroportos (e terminais de transporte em geral) são o tipo de construção que mais me apaixonam. São infraestruturas complexas que processam milhares de passageiros diariamente, permitindo que viagem pelo mundo, muitas vezes por motivos emocionais significativos".
Não falamos apenas de um terminal de aeroporto muito funcional e eficiente, mas também de um edifício incrivelmente bonito. "Sua arquitetura, projeto estrutural e modulação são igualmente poderosos e graciosos. O uso e organização de cores – característicos do trabalho do RSHP, mas geralmente ausentes em outros edifícios contemporâneos – é bastante ousado e muito cativante", considera Bruno.

Quais são suas obras arquitetônicas favoritos e por quê? Deixe sua resposta nos comentários!
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Versão em português de @ntams.
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