O que é arteterapia e como pode beneficiar a saúde mental?
Conheça o fenômeno crescente que utiliza a arte como ferramenta terapêutica para cuidar da saúde mental
Nada nos impacta tanto quanto uma obra de arte impressionante. Seja a angústia e confusão que parece saltar da tela em O Grito, de Munch, o amor e a paixão transmitidos com tamanha ternura em O Beijo, de Klimt, ou o medo e o desespero em Guernica, de Picasso; certas criações são capazes de nos tocar de uma forma que nada mais consegue.
A arte possui tamanho poder como ferramenta comunicativa por falar a linguagem universal da emoção humana. Também permite aos próprios artistas uma saída criativa para os próprios, muitas vezes complexos, sentimentos e preocupações.

Embora a arte sempre tenha sido vista como uma forma de autoexpressão, os acontecimentos globais recentes e o subsequente aumento do número de pessoas sofrendo de alguma forma de transtorno mental mostram que estamos, cada vez mais, recorrendo à arte para compreender e articular nossas emoções.
Neste post, com o objetivo de aumentar a conscientização sobre a importância da saúde mental, examinamos as origens da arteterapia, como ela funciona e qual seu impacto.
O que é arteterapia?
Ao contrário do que muitos acreditam, arteterapia não é uma aula de arte. É uma forma de psicoterapia que encoraja quem a pratica a explorar suas emoções mais profundas, desfrutar da liberdade de expressão e comunicar-se através de atividades artísticas sob a supervisão e orientação de um arteterapeuta profissional.
Pode assumir muitas formas, como pintura, desenho, artesanato, colagem, escultura. Não é necessário ter inclinação artística para optar pela arteterapia, mas é preciso estar aberto a experimentar e ter vontade de tentar técnicas criativas alternativas.

História da arteterapia
Embora pareça um fenômeno relativamente novo, a arteterapia surgiu na década de 1940. O termo foi cunhado pelo artista britânico Adrian Hill, que descobriu os benefícios psicológicos do desenho e da pintura ao buscar terapias enquanto se recuperava da tuberculose. Após a descoberta, ele começou a dar aulas de arte para outros pacientes e, mais tarde, para soldados hospitalizados na Segunda Guerra Mundial.
O trabalho de Hill despertou o interesse de outro artista, Edward Adamson, que acreditava firmemente que tanto a mente quanto o corpo deveriam ser levados em conta em qualquer tratamento. Juntos, integravam um grupo que levou a ideia de Hill para hospitais psiquiátricos antes da arteterapia se tornar uma prática respeitada e valorizada.
Para que é usada e quais são os benefícios?
O escopo da arteterapia é amplo. Pode ser usada no tratamento de diversas situações, incluindo - embora não se limite a isso - transtornos de saúde mental, como ansiedade, traumas, depressão, dificuldades sociais, como problemas de relacionamento ou comunicação, e para ajudar a lidar emocionalmente com problemas crônicos e doenças limitantes.
Em termos de saúde mental, a arteterapia é vista como uma forma extremamente benéfica de liberar emoções reprimidas, comunicar pensamentos difíceis de expressar em palavras e compreender sentimentos. Você pode pensar nela como uma maneira de conhecer e compreender melhor a si mesmo.

O tratamento pode ser concomitante a medicamentos e terapias faladas, ou uma alternativa a eles. Tudo depende das necessidades do paciente. Lembre-se: da mesma forma que faria com um problema físico, busque sempre aconselhamento médico profissional antes de embarcar em qualquer tratamento para transtornos mentais.
Se há algo a ter em mente antes de começar a arteterapia, é sempre contratar os serviços de um arteterapeuta registrado. Nem todo mundo pode fazer esse trabalho! Muitos países e regiões têm as próprias associações. No Brasil, por exemplo, existe a União Brasileira de Associações de Arteterapia; em Portugal, a Sociedade Portuguesa de Arte-Terapia. Ambas possuem uma lista de profissionais registrados ou poderão aconselhá-lo em sua busca.
Além disso, também oferecem formação, caso tenha interesse na área. Como em todas as terapias, o relacionamento com o arteterapeuta é muito importante. Ele deve fazer você se sentir seguro e confortável. Afinal, não se trata de uma aula de arte, e suas sessões podem trazer à tona emoções fortes ou incômodas que precisam ser manifestadas em um ambiente seguro e solidário.

Muitas cidades também têm oficinas de arteterapia ou espaços para aproveitar os benefícios da arteterapia. Um exemplo é o Manicómio, em Lisboa, Portugal, onde pessoas que sofrem de esquizofrenia ou transtorno bipolar podem encontrar um espaço seguro, sem estigmas, para compartilhar e explorar seu lado artístico.
Embora a arteterapia não seja para todos, ela mostrou resultados promissores em diversos estudos realizados com pessoas com transtornos de saúde mental, incluindo redução do estresse e níveis de depressão e aumento da autoestima. No mínimo, sua popularidade crescente é um lembrete da importância do cuidado com a mente e o corpo e de buscar suporte profissional para nós mesmos ou entes queridos (não importando a forma que possa ter).
Ilustrações por Maja Dabek (@maja_dabek) para a Domestika.
Versão em português de @ntams.
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