Meu projeto do curso: "Bolota de catota"
Meu projeto do curso: "Bolota de catota"
por Gustavo Forster @gustavo_forster
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Bolota de Catota
Marcelo era um menino muito ativo e inteligente. Adorava brincar com sua irmã mais nova, gostava de andar de bicicleta e era um excelente corredor (todo mundo confiava nele para pegar as pipas que caíam do céu).
Mas ele tinha um hábito um pouco… Inusitado. A verdade era que ele adorava comer caca de nariz. Era algo que ele fazia quase sem perceber. Sem vergonha nenhuma, metia o dedo lá dentro do nariz, puxava uma catota de meleca daquelas, enrolava uma bolinha com os dedos e mandava pra dentro, sem pensar duas vezes. Achava salgadinho, um pouco azedinho as vezes.
Seus pais, quando viam isso, achavam horroroso: “Marcelo! Mas que nojo! Pára de comer caca de nariz, menino! Usa um lenço pra assoar o nariz!”
Mas ele só falava: “Ah! Nem notei. Fiz sem pensar!” - e dava uma risadinha.
No fim de semana, depois do café da manhã (uma das suas refeições preferidas), adorava pegar sua bicicleta e sair por aí com os amigos. Eventualmente Marcelo comia umas bolinhas de caca na frente deles, e eles também ficavam meio enojados com o que viam:
“Caraca Marcelo, que nojo! Usa um lenço, assoa esse nariz!”
Mas Marcelo sempre repetia:
“Eita. Fiz sem pensar.” - e dava uma risadinha.
Apesar disso, todo mundo gostava muito do Marcelo e os amigos eram inseparáveis. Adoravam parar no seu lugar preferido para jogarem bolinha de gude, futebol, brincar de pega-pega, esconde-esconde…
Mas o melhor de tudo ficava pro final: adoravam quando o dia estava pra acabar, e se reuniam no “clube”.
O clube era uma casa na árvore que o pai de Marcelo havia construído para ele e seus amigos. Quando se juntavam lá, umas horas antes dos pais chamarem pra jantar, brincavam de colecionar figurinhas, contar histórias, ler gibis e… a comida. Cada um trazia sua parte, alguma coisa muito gostosa que conseguiam pegar escondido dos pais. Afinal, os adultos não deixavam as crianças beliscar nada antes do jantar.
“Eu consegui pegar esse salgadinho lá em casa, meus pais nem notaram!”
“Há, olha o que EU trouxe! Um bolo inteirinho que nem foi aberto ainda!”
“Perfeito pro suco de maçã que eu peguei escondido do armário de casa!”
“E eu trouxe nosso saco de balas preferido, como sempre, para abrir o paladar… “ - disse Marcelo imitando um garçom de um restaurante chique, causando risada geral no clube.
Esses dias no fim de semana eram perfeitos para Marcelo. Até que num sábado, tudo mudou…
Marcelo acordou como de costume em sua cama, acordou sua irmãzinha com um cafuné, e foram tomar café. Foi aí que começaram as bizarrices. Chegando na cozinha, onde estava a mesa com o café da manhã, ao invés de pão, manteiga, leite e café, era tudo… MELECA. Meleca de nariz. Isso mesmo. Marcelo não conseguia acreditar no que via.
“Pai! Mãe?! Vocês estão comendo um monte de caca e meleca de nariz! Que nojo!”
“Que isso filho! Nós vimos você fazer tanto isso que ficamos curiosos. Resolvemos experimentar e… não é que é uma delícia? Senta aqui, deixa eu passar maionese de meleca no seu pão de caca, vc precisa comer.”
“Oba, leite de ranho!” - disse a irmãzinha de Marcelo ainda esfregando os olhos de sono.
Marcelo não podia acreditar no que estava vendo. Era tudo muito nojento. Precisava sair pra contar pros seus amigos o que estava acontecendo.
“Acho que estou um pouco sem fome hoje, eu como mais tarde!” - disse e saiu correndo pra pegar sua bicicleta e encontrar os amigos no lugar de sempre.
Depois de contar pros amigos o que tinha acontecido aquela manhã, todos riram, menos Marcelo.
“Você tem uma imaginação muito boa! Deixa pra contar essa história no clube! Vai ser engraçado.”
“Não é história! Aconteceu de verdade!” - disse Marcelo, em tom sério.
“Claro, Marcelo.” - disse um dos amigos dando uma risadinha - “agora vamos jogar futebol”.
Jogaram futebol, brincaram de bolinha de gude, pega-pega, esconde-esconde, como sempre fizeram. Marcelo acabou esqueceu o ocorrido, e havia chegado a melhor hora do dia: se reunir no clube.
Como de costume, começaram a esvaziar as mochilas com o que conseguiram pegar de casa na surdina, sem os pais perceberem. Foi aí que a coisa desandou de vez. Marcelo só conseguiu ficar olhando, de queixo caído, horrorizado, quando os amigos revelavam o que tinham conseguido pegar:
“Eu peguei esses pirulitos de bolota de catota! São uma delícia!” - disse um.
“E eu consegui esses donuts com cobertura de meleca verde. Hmmm!” - disse o outro.
“Bem, eu só consegui pegar esses cachorros-quentes com salsicha de caca com molho de meleca, mas são daqui, ó!” - falou o outro amigo, fazendo um gesto apertando uma das orelhas.
Olhando tudo aquilo com espanto, Marcelo finalmente falou (na verdade, ele berrou mesmo):
“Mas o que está acontecendo?! É tudo feito de caca?! Não pode ser! Eu não quero comer caca pro resto da vida!”
Até que, de repente, Marcelo abriu os olhos. Estava na sua cama, a irmã ainda dormia, e o dia estava começando. Foi tudo um sonho!
“Caramba, que alívio…” - pensou. Depois de pensar sobre o sonho, levantou-se e acordou a irmã como de costume. Tomou café, deu um beijo de despedida nos pais e na irmã, e se preparou pra pegar sua bicicleta.
Quando estava saindo, quase sem perceber, lá estava ele com o dedão enfiado no nariz de novo, tirando uma caca daquelas, e enrolando uma bolinha.
Quase que sem pensar, foi colocando a bolinha boca, quando parou de repente, olhando pra sua obra de arte melequenta:
“Melhor não arriscar.” - disse, pegando um lenço de cima da mesa, limpando o dedo e jogando o lenço no lixo. Pegou o resto dos lenços que estavam num saquinho, colocou na mochila, e saiu pra mais um fim de semana de diversão.

2 comentarios
@ibrenman Illan, muito obrigado pelo curso, eu adorei assistir todos os vídeos!
Sobre a minha história, acho que está um pouco longa, mas não consigo decidir o que cortar, ou se devo recontar tudo de novo. Também não sei se o tema é muito nojento, apesar de ser baseado em fatos reais haha.
Qualquer feedback é muito bem-vindo :)
Oi, Gustavo.
Em primeiro lugar, obrigado por compartilhar o projeto.
Os temas escatológicos são clássicos da vida infantil, temos muitos best-sellers nessa área como por exemplo: Da pequena toupeira que queria saber quem tinha feito cocô na cabeça dela (cia das letrinhas).
O que você tem que saber que existem editoras que não curtem esse tipo de temáticas e outras (não muitas) gostam. O tema de meleca de nariz é bem dentro da realidade da criançada, mas acho que você poderia desenvolver mais esse enredo, colocar um enredo mais forte e com um conflito mais explicito, a meleca de nariz poderia ser uma "arma" polivante em várias aventuras, cola coisas, tampa furos etc. O tema é ótimo, precisaria apenas desenvolvê-lo.
Espero ter ajuado,
llan
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