Isaque Criscuolo
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@isaque.criscuolo
3d & animação

Por que Final Fantasy VII é tão importante para a história dos games?

  • por Isaque Criscuolo @isaque.criscuolo

Conheça a história do jogo criado nos anos 80 que transformou o gênero RPG e as narrativas de videogames

Se você gosta de videogames, com certeza já ouviu falar na franquia Final Fantasy e seus personagens. Se você ainda não conhece, fazemos uma breve introdução: Final Fantasy é uma série antológica de jogos RPG no qual você controla um grupo de personagens e, através de batalhas, faz evoluir suas habilidades.

Criada nos anos 80 por Hironobu Sakaguchi, o primeiro jogo da franquia foi lançado em 1987 e, desde então, emplacou outros 14 títulos principais e diversos derivados, totalizando mais de 159 milhões de unidades vendidas.

Isso faz de Final Fantasy uma das franquias mais bem sucedidas de todos os tempos, construída ao longo dos últimos 34 anos com histórias fantásticas, personagens icônicos e grandes avanços tecnológicos.

Logos ilustrados da franquia 'Final Fantasy'
Logos ilustrados da franquia 'Final Fantasy'

Final Fantasy VII, lançado em 1997, ocupa um lugar especial nessa linha do tempo. Não só é considerado um dos jogos mais marcantes da franquia, mas um dos mais comentados da história dos games, influenciando outras criações da indústria. Mas, como um jogo foi capaz de fazer tudo isso?

Playstation, Linguagem de cinema e 3D

Os primeiros jogos de Final Fantasy foram lançados em parceria com a Nintendo, explorando a capacidade do hardware da empresa japonesa e sua capacidade de encantar jogadores em todo o mundo. Essa parceria durou até o lançamento de Final Fantasy VI, quando os desenvolvedores entenderam que precisavam trazer mais inovações para a franquia.

Esse ponto de virada foi o surgimento do Playstation, primeiro console da Sony, que em 1994 oferecia processamento gráfico mais poderoso, gráficos 3D e CD como um novo suporte. A equipe de desenvolvimento de Final Fantasy VII aproveitou todos esses recursos, levando-os ao máximo que podiam para a época.

Cena inicial de 'Final Fantasy VII', com Cloud Strife
Cena inicial de 'Final Fantasy VII', com Cloud Strife

FFVII acompanha Cloud Strife, um ex-soldado e mercenário, que se une ao grupo eco terrorista AVALANCHE para impedir que a megacorporação Shinra use a essência vital do planeta em que vivem como uma fonte de energia. Ambientada num contexto cyberpunk e futurista, a narrativa deu novos ares à fantasia medieval clássica presente nos games anteriores da franquia.

O resultado foi um jogo que não só mostrou o potencial do 3D, mas trouxe para este universo computadorizado uma linguagem cinematográfica capaz de fazer as pessoas se imergirem na história, participarem da narrativa e irem além dos high scores.

"Aproveitando o momento de transição dos games para o 3D, quando esse tipo de tecnologia era muito nova, a Squaresoft investiu pesado em computação gráfica, o que impressionou muito na época. É óbvio que o jogo traz muito mais qualidades do que a parte gráfica, mas sua importância se dá nesse contexto: FFVII apresentou um jogo que entrou no imaginário coletivo como o primeiro vislumbre dessa mistura entre linguagem cinematográfica e uma experiência narrativa", diz o jornalista brasileiro Bruno Silva, que trabalha na área de cultura e games há 10 anos e é um grande fã da franquia.

Comparação gráfica entre o 3D da época e os recursos atuais
Comparação gráfica entre o 3D da época e os recursos atuais

Para Nicolas Courcier e Mehdi El Kanafi, no livro 'A Lenda de Final Fantasy', a mudança para o visual tridimensional foi sempre uma transformação decisiva para qualquer série de renome:

"É só analisar o impacto que isso teve em The Legend Of Zelda: Ocarina of Time, Metal Gear Solid e Super Mario 64. Quando uma revolução tecnológica acontece, referências mudam e os jogadores se desorientam. Mas acima de tudo, eles se surpreendem."

Aliado além de tudo isso está também a trilha sonora que em Final Fantasy, especialmente VII, é impactante. Para o animador e artista voxel Zach Soares, que na Domestika ministra o curso Introdução ao voxel art para design de personagens, FFVII tem uma das trilhas sonoras mais memoráveis de toda a indústria.

"A arte ambiental ao redor do jogo é tão interessante que exibe lindamente as lutas de classe. E o elenco de personagens era bastante diversificado para a época (FFVII original). Basicamente, para muitos, foi uma experiência comparável a assistir a um longa-metragem, algo super raro em jogos", diz Zach.

Do Oriente para o Ocidente

Para Humberto Martines, editor da revista oficial do Playstation no Brasil, no prefácio do livro 'A Lenda de Final Fantasy', FFVII foi o RPG japonês desbravador capaz de convencer o Ocidente de que havia um mundo de maravilhas exóticas no Oriente:

"Como em um passe de mágica, depois de Final Fantasy VII, o gênero RPG tornou-se um dos favoritos dos jogadores. Se antes todos gostavam de pancadaria, tiros, heróis e temas simplistas como 'salve a garota' e 'faça muitos pontos', ali na aventura de Cloud Strife e os rebeldes da Avalanche, descobrimos que os videogames podiam oferecer mais."
Capa original de 'Final Fantasy VII' em 1997
Capa original de 'Final Fantasy VII' em 1997

Além da parte visual, Final Fantasy VII também representou uma ruptura com o restante da série. "Àquela altura, Final Fantasy já existia há 10 anos e já havia lançado vários jogos de sucesso, mas era conhecida como um RPG de inspiração em fantasia medieval, como tantos outros da época. O jogo anterior, Final Fantasy VI, começa a romper com esse padrão, mas a transição para o 3D fez Final Fantasy VII ficar mais marcado na memória, com seus elementos de cyberpunk, sua mensagem ambientalista e sua história que gira em torno de perda e transformação", afirma Bruno Silva.

Narrativa no centro da experiência

Os avanços tecnológicos fizeram de Final Fantasy VII uma grande referência, alavancando as vendas do Playstation e o transformando numa das grandes potências não só de uma geração, mas da indústria como um todo.

Outro grande legado de FFVII é a construção dos personagens com histórias complexas, dilemas e questões capazes de humanizá-los, potencializando assim a conexão com o público. Junto disso também estava a narrativa do jogo em si, que surpreendeu por suas reviravoltas e uma construção e ambientação até então inédita.

"O título dedica suas primeiras horas a uma única cidade: a megalópole industrial de Midgar. Toda a ação se passa dentro da cidade, que é imensa e abriga vários cenários diferentes dentro de si, de modo a nos fazer imaginar que todo o jogo poderia se passar ali dentro. Quando o grupo deixa Midgar e um mundo ainda maior se abre, a sensação de grandeza e descoberta do jogo era algo inédito na época - em grande parte proporcionada pelo aumento significativo de memória que o CD-ROM trouxe com o primeiro PlayStation", lembra Bruno.

Vista panorâmica da cidade de Midgar
Vista panorâmica da cidade de Midgar

Já na opinião de Zach Soares, uma das grandes inovações de FFVII é o environmental storytelling. "Os desenvolvedores do jogo criaram maravilhosamente este mundo 3D e fizeram questão de usar cada grama disso para fazer o jogador sentir o que significava estar em Midgar. Antes disso, é difícil lembrar de uma época em que andar por um mundo de jogos realmente dizia qualquer coisa... claro que você tinha jogos como Chrono Trigger, com grandes espaços desenvolvidos, mas isso não era nada comparável a Midgar", conclui o professor da Domestika.

O design de personagens também causou um impacto marcante na cultura pop. A combinação de cabelo espetado e espada gigante de Cloud tornou-se quase obrigatória em RPGs japoneses que vieram depois.

Remake

Mesmo depois de 23 anos de seu lançamento, Final Fantasy VII continua capaz de gerar unanimidade entre jogadores e especialistas da área, pois não só sua linguagem 3D e narrativa influenciaram dezenas de jogos que vieram depois, mas a imaginação e expectativa dos fãs foi transformada.

Depois desse jogo, poderíamos esperar mais games com histórias poderosas, linguagem de cinema e dinâmicas de gameplay mais imersivas e interativas.

Final Fantasy VII Remake trouxe o jogo para novas audiências
Final Fantasy VII Remake trouxe o jogo para novas audiências

Para Bruno Silva, é seguro dizer que existe um período antes  e depois de FFVII para a franquia e para a indústria. "A partir de FFVII, a Square dobrou a aposta na linguagem cinematográfica e em uma mistura de cenários exóticos e histórias que conversam com problemas atuais da sociedade. Muito disso se deve, também, pelo fato de FFVII ter catapultado a franquia a um público internacional, o que pressionou a Square a tirar cada vez a série do nicho de RPGs japoneses", diz.

O sucesso deste e de outros títulos da franquia Final Fantasy fez com que a desenvolvedora do jogo, Square Enix, anunciasse em 2015 um remake de Final Fantasy VII para os consoles da nova geração com gráficos, linguagens e dinâmicas de jogo atualizadas. Não só para que fãs revivam a experiência de um divisor de águas, mas para levar a narrativa, atemporal, para novas audiências enquanto avançam tecnicamente as possibilidades de narrativas gameficadas.

'Final Fantasy VII Remake Intergrade' será a versão para Playstation 5
'Final Fantasy VII Remake Intergrade' será a versão para Playstation 5

Final Fantasy VII Remake foi lançado em Abril de 2020 com exclusividade para Playstation 4, vendendo mais de 3.5 milhões de cópias e, em junho de 2021, uma versão aprimorada para Playstation 5, Final Fantasy VII Remake Intergrade, também será lançada.

Criada nos anos 80 por Hironobu Sakaguchi, a franquia Final Fantasy, e especialmente o sétimo capítulo da saga, continuam ditando tendências e provocando grandes experiências para gamers de todo o mundo. Um legado que há 34 anos impressiona e transforma a indústria.

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