Design

10 capas de álbuns icônicas da música brasileira, parte I

Conheça a história por trás de 10 projetos gráficos marcantes da música brasileira, nessa matéria dividida em duas partes

Quem nunca descobriu um artista ou banda apenas porque foi fisgado pela arte do álbum? Afinal, o principal feito do design uma grande capa, seja ela física ou digital, é despertar no ouvinte o desejo de escutar a obra que apresenta.

Os caminhos para alcançar este objetivo, no entanto, são muitos: a capa pode tanto condensar e antecipar o conteúdo do álbum, quanto deixá-lo em aberto, optando por sugerir ao invés de revelar. Pode ser extremamente minimalista, como o "Álbum Branco", dos Beatles, ou empilhar elementos, como é o caso de Disraeli Gears, do Cream.

Pensando nesta simbiose entre música e design, selecionamos 10 capas icônicas da música brasileira e contamos um pouco da história por trás delas. Essas são as cinco primeiras.

1. Tropicália ou Panis et Circensis, de Tropicália, 1968

Desenvolvida pelo artista Rubens Gerchman, a capa do disco que revolucionou a Música Popular Brasileira parece se inspirar no clássico dos Beatles, Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, lançado um ano antes, mas também pode ter bebido de outra fonte: o retrato dos modernistas da Semana de 22.

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'Tropicália ou Panis et Circensis', capa por Rubens Gerchman

Seja como for, ela é repleta de referências e mensagens subliminares. A pose do grupo imita as fotografias de família da época e a predominância do verde e amarelo reforça as cores da bandeira brasileira.

Rogério Duprat, maestro e arranjador do disco, segura um penico como se fosse uma xícara, numa possível alusão ao mictório de Marcel Duchamp. O compositor Tom Zé, representando o retirante nordestino, carrega uma mala e os irmãos Baptista, de Os Mutantes, empunham suas guitarras (então instrumento polêmico, que havia inclusive motivado uma marcha de protesto no ano anterior).

2. Secos & Molhados, de Secos & Molhados, 1973

Se alguém, na madrugada em que as fotos eram feitas, entrasse no estúdio e dissesse para os quatro músicos que a imagem das quatro cabeças servidas em bandejas, numa clara crítica à ditadura militar brasileira, viria a ser eleita pela Folha de S. Paulo, em 2001, a melhor capa de disco da música brasileira, eles provavelmente não acreditariam.

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'Secos & Molhados', de Secos & Molhados, capa por Antônio Carlos Rodrigues

Sentados sobre tijolos, sentiam frio. As cabeças maquiadas, expostas ao calor das lâmpadas, suavam. Na verdade, toda a sessão de fotos do álbum de estreia dos Secos & Molhados, concebida e realizada pelo fotógrafo do jornal Última Hora, Antônio Carlos Rodrigues, foi marcada pela precariedade.

Em valores corrigidos, o orçamento não passava de 80 reais. Os alimentos utilizados vieram de um supermercado vizinho e a mesa, um compensado fino de madeira, foi serrada pelos integrantes da banda. Uma prova de que o que conta, mais do que os recursos materiais, são as ideias.

3. A Tábua de Esmeralda, de Jorge Ben Jor, 1974

O melhor trabalho de um dos grandes inovadores da MPB, considerado pela Rolling Stone o sexto melhor álbum da história da música brasileira, pedia uma apresentação à altura. A tarefa ficou a cargo do artista carioca Aldo Luiz, que a cumpriu com louvor.

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'A Tábua de Esmeralda', capa por Aldo Luiz

A ilustração da capa, que abusa de cores vibrantes, funciona como uma espécie de guia para as faixas do disco. Representa o anúncio da chegada dos alquimistas (Os Alquimistas Estão Chegando), os deuses astronautas (Errare Humanum Est), o alquimista Paracelso (O Homem da Gravata Florida), a Tábua de Esmeralda (Hermes Trismegisto e sua Celeste Tábua de Esmeralda), entre outros.

4. Clube da Esquina, de Milton Nascimento e Lô Borges, de 1972

Uma das imagens mais reconhecíveis no imaginário da música popular brasileira, certo? Menos para os personagens. Antônio Rimes e Antônio Carlos de Oliveira, os meninos fotografados na beira de uma estrada por Carlos da Silva Assunção Filho, o Cafi, sequer sabiam da existência do álbum até serem procurados por um repórter do jornal O Estado de Minas, em 2002.

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'Clube da Esquina', capa por Carlos da Silva Assunção Filho

Pela força da fotografia, escolhida pelo próprio Milton Nascimento, todas as informações do disco, incluindo o título e uma foto dos dois músicos, foram deixadas para o verso. Curiosidade: a imagem que ilustra Heresia, o álbum de estreia do rapper Djonga, um dos maiores nomes do hip-hop brasileiro em anos recentes, é uma releitura desta capa.

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'Heresia', de Djonga

5. <atrás/além>, de O Terno, 2019

A capa do quarto álbum de estúdio do trio paulistano, nascida de uma intervenção sobre o "Álbum Branco", dos Beatles, abusa dos espaços vazios. A ideia partiu do vocalista e compositor do grupo, Tim Bernardes e foi realizada pela artista gráfica Maria Cau Levy.

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'<atrás/além>', capa por Maria Cau Levy
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'<atrás/além>', contra-capa por Maria Cau Levy

A proposta é minimalista: 3 círculos coloridos, que representam os álbuns já lançados, em alto relevo sobre um fundo branco. Acima dos círculos, o nome da banda separado silabicamente: "o" "ter" "no". A divisão pretende ressaltar o reconhecimento da individualidade dos integrantes.

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