leonardo finotti: latinitudes
leonardo finotti: latinitudes
por Leonardo Finotti @leonardofinotti
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![2020|04|03 MUSA presents “latinitudes” Guadalajara [2020]](https://imgproxy.domestika.org/unsafe/w:820/plain/src://content-items/012/599/198/_A5A0684-original.jpg?1667836604)
![2017|06|08 Museo Zorilla presents “latinitudes” Montevideo [2017]](https://imgproxy.domestika.org/unsafe/w:820/plain/src://content-items/012/599/546/2017%7C06%7C08%20Museo%20Zorilla%20presents%20%E2%80%9CLatinitudes%E2%80%9D170615-289D-original.jpeg?1667839975)
![2015|05|26 Galeria Bolsa de Arte presents “latinitudes” São Paulo [2015]](https://imgproxy.domestika.org/unsafe/w:820/plain/src://content-items/012/599/563/73801PR150526-060D-original.jpg?1667840186)
![2018|07|24 MISAM presents “latinitudes” Manaus [2018]](https://imgproxy.domestika.org/unsafe/w:820/plain/src://content-items/012/599/566/%2B5592PR180724-124D-original.jpg?1667840239)
![2015|09|05 Centro Cultural Recoleta presents “Ecos del MoMA” Buenos Aires [2015]](https://imgproxy.domestika.org/unsafe/w:820/plain/src://content-items/012/599/579/06901PR150909_003D-original.jpg?1667840334)
![2015|10|23 Memorial do Rio Grande do Sul presents “biografia da vida urbana” Bienal do Mercosul, Porto Alegre [2015]](https://imgproxy.domestika.org/unsafe/w:820/plain/src://content-items/012/599/601/www.flickr.com:photos:decimabienal:22663694870:T%C3%A1rlis%20Schneider-original.png?1667840431)
LATINITUDES é um projeto fotográfico em processo que busca ampliar e intensificar a relação do artista brasileiro Leonardo Finotti com a arquitetura moderna na América Latina. É uma obra que até agora abrange treze países, treze realidades diferentes. A arquitetura moderna serve como suporte, é um fio condutor através do qual Finotti elabora uma construção pessoal feita de imagens. LATINITUDES, um neologismo que combina as palavras “latino” e “latitudes”, e propõe uma narrativa linear através de fotografias em 9 cidades ordenadas, de sul a norte, pela latitude.
A arquitetura moderna reflete um momento de otimismo, um momento de trabalho coletivo com o mesmo objetivo: o progresso humano. O ser moderno é um ser em comunidade, que entende o progresso como uma plataforma para o bem comum. O espaço moderno é fluido, é um espaço público, mesmo em ambientes internos e em ambientes privados. Em conjunto, esta arquitetura é a paisagem mais característica das nossas cidades, um cenário privilegiado para a sua realização como projeto coletivo.
Formalmente, esta arquitetura renovadora, originária da Europa no alvorecer do século passado e estimulada pela vanguarda figurativa, revolucionária na concepção dos objetos. Livre da composição clássica e de tudo o que fosse considerado supérfluo, a expressividade do estilo moderno reside no espaço e nas formas abstratas. Ao contrário do que aconteceu com o cânone que veio a deslocar, o universo expressivo de cada obra moderna se refere a si mesma: cada projeto estabelece suas regras de composição, e o usuário tem um papel ativo nesse processo, por meio de sua percepção dinâmica. Além disso, noções como razão, verdade ou pureza foram associadas às construções modernas da primeira metade do século XX, conferindo-lhe um valor moral.
Enquanto isso, pela rápida difusão de obras de referência e pelo caráter messiânico de alguns de seus representantes mais importantes (é impossível não citar aqui Le Corbusier), são evidentes certas constantes em seus resultados, que em meados do século se chamariam de Estilo Internacional. Na América Latina essa nova cultura arquitetônica foi adotada, mas logo começaram a surgir inovações e adaptações locais, que tiveram seu apogeu no projeto de Lucio Costa para Brasília e seus principais edifícios projetados por Oscar Niemeyer. No entanto, como apontou o professor Fernando Lara, a historiografia da arquitetura está muito longe de refletir a relevância que a arquitetura moderna teve e ainda tem na América Latina.
A abordagem de Leonardo Finotti à arquitetura moderna começou espontaneamente no Brasil. Um importante projeto sobre a obra de Niemeyer, por ocasião do seu centenário, deu um primeiro sentido à sua obra, tornando-a uma pesquisa, um acervo exaustivo (até hoje essa obra
tem mais de 200 projetos fotografados). Outros projectos, como o que centra-se nas casas de autoria de Paulo Mendes da Rocha, permitiram-lhe encontrar constantes na sua fotografia e no desenvolvimento da sua própria e acertiva fotografia. O que a princípio foi uma relação de empatia, de valorização da qualidade arquitetônica (Finotti também é arquiteto), ao mesmo tempo gerou uma necessidade autoral. A arquitetura moderna foi a melhor forma de expressar o encontro entre espaço, forma, matéria e uma visão muito pessoal.
Aos poucos, o artista visual começou a aparecer nas fotos. Sua obra se destaca pela visão ordenada, pela estruturação espacial e seu refinamento obsessivo. Uma busca inicial de objetividade (deixando de lado expressamente a pretensão de originalidade) foi transformada, pela repetição, em subjetividade. É a composição que produz a cena fotografada, como uma grade invisível sutil que ordena as formas e linhas; é a projeção do discurso de Finotti sobre o espaço que emerge continuamente nas fotografias de LATINITUDES.
Em 2015, o MoMA de Nova York exibiu sua maior mostra sobre a América Latina, América Latina na Construção: Arquitetura 1955-1980. Esta exposição comemorou 60 anos de outra, também na instituição, que apresentou arquitetura da América Latina entre 1945 e 1955. Leonardo Finotti foi convidado pelo museu para fazer um ensaio contemporâneo, que, além de estar presente na mostra, abre seu catálogo com portfólio pessoal (do qual 15 de suas fotografias foram adquiridas para a coleção permanente do museu).
Essa comissão, que durou sete anos e levou Finotti a viajar pela América Latina, deu origem à que hoje é chamada de série LATINITUDES. No entanto, ao contrário da exposição do MoMA, esta seleção de fotografias em preto e branco nos traz uma visão mais pessoal e íntima. A série foi concebida pela primeira vez em 2015, em São Paulo, com curadoria de Michelle Jean de Castro, e com o nome de Identidade Latino-Americana na Galeria Bolsa de Arte. Nesse mesmo ano participou da Bienal do Mercosul em Porto Alegre, e com o nome Ecos del MoMA recebeu o primeiro prêmio na Bienal Internacional de Arquitetura de Buenos Aires, para citar apenas algumas.
Parte da série foi apresentada na exposição Latin America Collection na Galerie 94, na Suíça, onde foi apresentado pela primeira vez o primeiro volume do livro Leonardo Finotti: A Collection of Latin American Modern Architecture, editado pela Editora Lars Müller. O livro é uma versão editorial baseada no conceito de LATINITUDES, mas a seleção das cidades difere da presente exposição. Finotti está preparando um segundo volume deste livro, para o qual recebeu uma bolsa da Fundação Graham. O projeto ainda inclui um terceiro volume.











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